
Os benefícios para a saúde de uma alimentação vegetariana
Quais os benefícios de uma alimentação vegetariana? É interessante para prevenir diabetes, hipertensão e doenças cardiovascular?
Artigo submetido pela nossa nutricionista Inês Panão
O estudo da nutrição e da alimentação tem sido crescente nos últimos anos. A variedade de padrões alimentares é a melhor forma de o ser humano variar e se alimentar de forma saudável. Obviamente adaptada às necessidades individuais de cada pessoa.
Se analisarmos em concreto a dieta vegetariana, vários estudos têm sido conduzidos para compreender a sua relação com benefícios para a saúde.
Os benefícios de uma alimentação vegetariana estão associados ao menor consumo de produtos de origem animal em paralelo com um maior consumo de alimentos de origem vegetal.
Sabemos que um elevado consumo de produtos de origem animal está associado a um maior risco de doenças crónicas. Isto resulta principalmente da quantidade de colesterol LDL, gorduras saturadas e triglicéridos.
Pelo contrário, os hortofrutícolas, as leguminosas, os cereais integrais e os frutos secos oleaginosos são uma grande fonte de fibra, vitaminas, minerais e colesterol HDL.
Uma alimentação vegetariana encontra-se positivamente relacionada com um Índice de Massa Corporal (IMC) mais baixo, quando comparado com não vegetarianos. Este facto resulta de a alimentação ter um padrão de macronutrientes mais equilibrado: o consumo de fibras é maior por causa dos cereais integrais, das frutas e hortícolas, o que contribui para a saciedade; a ingestão de gorduras é menor; e está ainda associada a um menor consumo de álcool, logo de calorias vazias.
A doença cardiovascular também parece ser menor em pessoas vegetarianas e ainda menor em veganos. Este facto é explicado pelos baixos valores de colesterol sanguíneo dos indivíduos vegetarianos, porque efetivamente o consumo de alimentos ricos em gorduras saturadas é menor.
Para além disso, como mencionado anteriormente, o consumo de fibra é maior. Principalmente o consumo de fibra solúvel que se encontra associada a uma redução dos valores de colesterol.
A maior ingestão de frutas e hortícolas conduz a um maior consumo de vitaminas com poder antioxidante (Vitamina C e E) e fitoquímicos. Estes micronutrientes reduzem os valores de colesterol LDL.
Importa salientar que pode existir um maior risco de doença naqueles vegetarianos que apresentam os valores de vitamina B12 muito baixos. Esta vitamina é fundamental para reduzir os níveis de homocisteína, um fator de risco.
A literatura tem vindo a demonstrar que pessoas vegetarianas apresentam menores valores de pressão sistólica e diastólica, ou seja, estes indivíduos têm a pressão arterial mais controlada.
A ingestão de sódio entre vegetarianos e não omnívoros não é muito diferente, por isso não é este o fator para a explicação da menor tensão arterial nos primeiros. O que parece ser explicativo é a combinação de nutrientes protetores presentes nas plantas e dieta ter um menor índice glicémico.
A relação da prevalência de cancro entre vegetarianos e não vegetarianos é menor, mas esta ligação ainda não é clara. Sabe-se que os hortofrutícolas, a fibra e os fitoquímicos são importantes nesta relação.
Sobre a diabetes, um padrão alimentar vegetariano reduz o risco de desenvolver diabetes tipo 2. Este efeito protetor resulta da maior ingestão de fibra que melhora a sensibilidade à insulina e menor IMC.
Evitar também o consumo de certos alimentos processados, ricos em açúcar, é um fator positivo.
Importa salientar que para além do padrão alimentar, o estilo de vida tem também um impacto na saúde e por isso não são só os alimentos isoladamente que são benéficos ou não. O consumo de bebidas alcoólicas em excesso, hábitos tabágicos, o sedentarismo, também têm um peso na balança.
Uma dieta vegetariana tem de ser adaptada e individualizada para que efetivamente seja benéfica ao indivíduo.
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